Extractos da História de Gouveia

Situada na encosta norte da Serra da Estrela, já existia a povoação em épocas anteriores à dominação romana, mas desconhece-se a sua verdadeira origem. Terá sido povoada pelos Hermínios e pelos Iberos. Daqui, resulta o nome da Serra da Estrela, que originalmente se chamava de "Montes Hermínios". Estes povos terão fundado a povoação com o nome de Gaudella, em 580 a.C. Esta designação, que também se encontra nos forais, pode derivar do termo latino gaudium ou gaudere que significam respectivamente "satisfação" ou "lugar de prazer". Consta ainda que a região foi povoada pelos Túrdulos cerca de 500 a.C. e se denominava Gouvé. A povoação terá nascido à volta do Castelo, de que actualmente nada resta senão o nome do Bairro do Castelo.

Os primeiros povos que habitaram esta região tiveram como chefe Viriato, nascido em Folgosinho, no concelho de Gouveia.Encontraram-se diversos vestígios da dominação romana, tais como estradas, pontes, castros, etc. Depois de invadida pelos árabes, dos quais ainda se encontram vestígios toponímicos como, Alfátema, Aljão, etc. foi reconquistada pelos cristãos, por Fernando Magno de Leão e Castela, em 1038.
No reinado de D. Sancho I, a localidade encontrava-se completamente em ruínas. Este rei concede foral aos moradores, em 1 de Fevereiro de 1186, com o fim de iniciar a sua reconstrução. Este foral foi confirmado por D. Afonso II, em Coimbra. A ele se deve o repovoamento, que lhe trouxe, se não a antiga opulência, pelo menos um estado de prosperidade que a distinguiu das restantes povoações da província. Os privilégios que D. Sancho lhe concedeu atraíram ali numerosas famílias.
D. Manuel atribuiu-lhe de novo foral em 1 de Julho de 1510.
Existem documentos que demonstram a existência duma comunidade Judaica no bairro da Biqueira. Segundo se conta, três proprietários judaicos de grande fortuna e influência local foram acusados de terem enforcado uma imagem de Nossa Senhora de grande veneração entre o povo. Denunciados por dois cristãos-velhos, dois foram queimados em Lisboa, salvando-se o terceiro por ter fugido a tempo. Como geralmente sucedia, também aqui se averiguou depois serem os denunciantes os mesmos que enforcaram a Senhora. Mas já era tarde porque das vítimas nem as cinzas restavam.
A Companhia de Jesus edificou ali, no séc. XVIII, um dos seus afamados institutos de ensino e propaganda, mas pouco se utilizou dele por ter sido banida do território português, pelo Marquês de Pombal, em 10 de Maio de 1759, e os seus bens incorporados no património nacional. O palácio foi depois usado na instalação do regimento de Caçadores 7. Passando para outra guarnição, vendeu-se o palácio a Bernardo António Homem, que o legou ao sobrinho, o Conde de Caria. Os herdeiros cederam-no à Câmara Municipal.
Desde o início da nacionalidade que Gouveia foi um grande centro industrial de lanifícios, tendo mesmo sido conhecida como “O Tear da Beira”. Em 1873, já existiam neste concelho 23 fábricas de tecidos, onde se utilizavam teares manuais. Em Março do ano seguinte, foi trazida para Gouveia a primeira máquina que deu início à substituição do processo manual. Hoje, infelizmente, muito pouco resta dessa fonte de riqueza concelhia.
Outras fontes de rendimento de grande relevo neste concelho são a agricultura com grande destaque para a cultura da vinha e principalmente o fabrico dos famosos Vinhos do Dão, e a pastorícia, da qual resulta a confecção do famoso Queijo da Serra.
Sobre as freguesias deste Concelho da área de intervenção da nossa Associação pensamos conseguir, tão breve quanto possível, um espaço neste site.